Letras e Pedagogia participam de palestra sobre reforma ortográfica
15/05/2009 - Fábio Delduca


Alunos da FaFEM durante palestra sobre reforma ortográfica, promovida pela Prefeitura

Alunos dos cursos de Letras e Pedagogia da FaFEM participaram da palestra sobre as novas regras ortográficas adotadas pelos países de língua portuguesa. A palestra foi ministrada pela professora Dra. Armini Boainain Hauy, que foi titular de língua portuguesa de diversas Instituições de Ensino Superior de Ribeirão Preto, entre elas a USP. O evento foi organizado pelos departamentos de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Mococa.

De acordo com a palestrante, é muito importante a discussão coletiva sobre as mudanças na ortografia. "Desta forma podemos levar, a um número grande de pessoas, as informações necessárias sobre o que muda com a nova ortografia da Língua Portuguesa", comentou a professora, que ainda fez um levantamento histórico de tentativas anteriores de reformas ortográficas, como a ocorrida durante o governo do ex-presidente José Sarney, em 1990.

Presentes a palestras, as professoras Lúcia Maria Sabbag (foto ao lado), coordenadora do curso de Letras, e Juliana Salun, parabenizaram a iniciativa da prefeitura. "É muito importante esse tipo de atividade, uma vez que ampliam os horizontes de conhecimento dos nossos alunos", destacou a coordenador. Lucia ressaltou ainda que, no segundo semestre, os alunos de Letras irão ministrar cursos de extensão sobre a reforma ortográfica. "Estamos coordenando os trabalhos e os alunos estão empolgados. Logo divulgaremos mais informações sobre o curso", finalizou a professora.

Para a aluna de Pedagogia Viviane Aparecida Domingos, a palestra esclareceu várias dúvidas que tinha sobre a reforma. "Como futuras professoras, precisamos estar por dentro das mudanças, pois iremos trabalhar com a nova ortografia em sala. Por isso, preciso aprender para passar o conhecimento à diante", disse. Andréia Reis Firmino, do terceiro semestre de Letras, também destacou a importância da palestra. "Além de tirar várias dúvidas que tinha, a palestra me permitir adquirir mais conhecimento e informação. Isso é muito importante para a minha formação acadêmica".

Sobre a reforma ortográfica

A reforma incorpora tanto características da ortografia utilizada por Portugal quanto a brasileira. O trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como "lingüiça" e "tranqüilo" passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra "u". A exceção são nomes estrangeiros e seus derivados, como "Müller" e "Hübner".

Seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos "ei" e "oi" --como "idéia", "heróico" e "assembléia"-- deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o "i" e o "u" precedidos de ditongos abertos, como em "feiúra". Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos "e" ou "o", em formas verbais como "vôo", "dêem" e "vêem".

Os portugueses não tiveram mudanças na forma como acentuam as palavras, mas na forma escrevem algumas delas. As chamadas consoantes mudas, que não são pronunciadas na fala, serão abolidas da escrita. É o exemplo de palavras como "objecto" e "adopção", nas quais as letras "c" e "p" não são pronunciadas.

Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de "k", "y" e "w". A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados, como "kafka" e "kafkiano".

Dupla grafia

A unificação na ortografia não será total. Como privilegiou mais critérios fonéticos (pronúncia) em lugar de etimológicos (origem), para algumas palavras será permitida a dupla grafia.

Isso ocorre em algumas palavras proparoxítonas e, predominantemente, em paroxítonas cuja entonação entre brasileiros e portugueses é diferente, com inflexão mais aberta ou fechada. Enquanto no Brasil as palavras são acentuadas com o acento circunflexo, em Portugal utiliza-se o acento agudo. Ambas as grafias serão aceitas, como em "fenômeno" ou "fenómeno", "tênis" e "ténis".

A regra valerá ainda para algumas oxítonas. Palavras como "caratê" e "crochê" também poderão ser escritas "caraté" e "croché".

Hífen

As regras de utilização do hífen também ganharam nova sistematização. O objetivo das mudanças é simplificar a utilização do sinal gráfico, cujas regras estão entre as mais complexas da norma ortográfica.

O sinal será abolido em palavras compostas em que o prefixo termina em vogal e o segundo elemento também começa com outra vogal, como em aeroespacial (aero + espacial) e extraescolar (extra + escolar).

Já quando o primeiro elemento finalizar com uma vogal igual à do segundo elemento, o hífen deverá ser utilizado, como nas palavras "micro-ondas" e "anti-inflamatório".

Essa regra acaba modificando a grafia dessas palavras no Brasil, onde essas palavras eram escritas unidas, pois a regra de utilização do hífen era determinada pelo prefixo.

A partir da reforma, nos casos em que a primeira palavra terminar em vogal e a segunda começar por "r" ou "s", essas letras deverão ser duplicadas, como na conjunção "anti" + "semita": "antissemita".

A exceção é quando o primeiro elemento terminar em "r" e o segundo elemento começar com a mesma letra. Nesse caso, a palavra deverá ser grafada com hífen, como em "hiper-requintado" e "inter-racial".

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